Turista que agrediu ladrão e xingou policial reagiu a outro assalto em 2011

Joe Ienco narrou ao G1 caso antigo e contou que, na sexta-feira, ladrão apertou 12 vezes o gatilho, mas arma falhou; americano segue no Rio e ainda responde por desacato.

A briga com um ladrão na sexta-feira (6), em Ipanema, na Zona Sul do Rio, não foi a primeira reação a um assalto no Rio do turista norte-americano Joseph Ienco, de 54 anos – que acabou preso e responde em liberdade por desacato, após xingar um policial na delegacia. Em entrevista ao G1 na quarta-feira (11), o empresário contou que já tinha passado por situação semelhante em 2011, em Copacabana.

O assalto foi na Rua República do Peru, em janeiro daquele ano. Ienco teve o celular, carteira, documentos e R$ 100 levados por um ladrão com uma faca. Quando o criminoso fugiu, o estrangeiro correu atrás e imobilizou o homem até a chegada de um guarda, que o prendeu. Os pertences foram recuperados, exceto o dinheiro.

“Eu persegui o suspeito, coloquei ele no chão e esperei a polícia chegar”, contou Ienco ao G1.

Há cinco anos, o desfecho da história foi diferente. O registro de ocorrência foi feito com tranquilidade na 14ª delegacia de polícia (Leblon). Na última sexta-feira, no entanto, Ienco ficou ferido na briga e ainda acabou autuado, por desacato à autoridade. Muito nervoso, xingou um policial que tentava o acalmar para que não agredisse novamente o ladrão, Anderson Cardoso, já imobilizado.

Ao G1, o americano voltou a dizer que não se arrepende do que fez, como já tinha feito ao ser liberado, na madrugada de sábado (7). Desta vez, ao lado de seu advogado no Brasil, João Carneiro, abrandou o discurso, elogiou o trabalho da polícia e disse que não queria desrespeitar o agente.

Doze tentativas de disparo
Ienco deu mais detalhes sobre a briga com o ladrão. O assalto começou na portaria do prédio onde o americano está hospedado, em Ipanema. Segundo o relato, o criminoso tentou atirar 12 vezes. Por sorte, a arma falhou. Um disparo teria sido ouvido, mas não atingiu o empresário nem o amigo, Michael Bottari, que o acompanhava.

“Eu poderia dizer que ele tentou atirar pelo menos 12 vezes em mim com certeza. Quando eu tentei persegui-lo, ele pegou a bicicleta e me via correndo atrás dele. Ele tentou disparar a arma. Eu só escutei o barulho de tiro uma vez, nas outras vezes a arma falhou”, completou Ienco, que é maratonista.

A delegada responsável pelo caso, Valéria Aragão, da Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat), desaconselhou firmemente a reação a assaltos.

Investigações continuam
Joseph Ienco esteve nesta quarta-feira no Instituto Médico Legal (IML) para realizar exame de corpo de delito. De acordo com o advogado João Carneiro, o procedimento foi solicitado pela Delegacia de Atendimento ao Turista (Deat). Após terminar as obrigações legais, ele deve voltar para Nova York e pode retornar caso a Justiça do Rio solicite. O embarque do turista estava previsto para acontecer no domingo (8), mas ele permaneceu no país por causa da investigação.

“Eu vou seguir a minha programação. Vou voltar para os Estados Unidos, mas, como eu já fiz no passado, quando eu tive que prestar esclarecimentos na Justiça, eu volto, presto esclarecimentos e estou pronto para fazer tudo novamente. Eu vou colaborar completamente com o que for necessário”, argumentou o americano, que segue respondendo ao crime de desacato em liberdade.

Ienco afirmou que pretende investir no setor de hotelaria e resorts do Brasil e que, apesar da violência, seguirá frequentando a cidade que visita há mais de 10 anos.

“Eu acho que os brasileiros são ótimas pessoas. O que eu quero dizer é que eu não viria duas vezes por ano aqui sem motivo. Se você olhar no meu passaporte, verá quanto eu passo o meu tempo aqui. Eu tenho muitos amigos brasileiros, tenho uma namorada brasileira, então eu irei voltar aqui sim.”

g1

12/01/2017

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