Quietude e Atenção da Liga Pela Paz promove maior concentração em sala de aula

Programa de Educação Emocional e Social da Seprev junto à Prefeitura de Arapiraca proporciona melhorias no processo de aprendizagem

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Crianças respiram fundo e mentalizam, no exercício da Metodologia Liga Pela Paz, fruto da parceria entre a Seprev e escolas de Arapiraca. Lucas Gottardi

Entre 2 e 5 minutos os mais de 900 alunos da Escola de Tempo Integral Mário César Pontes, no bairro Planalto, em Arapiraca, embarcam todos os dias em terras onde tudo é possível, lá no universo infinito da imaginação.

Com a coluna ereta, sentados confortavelmente em suas carteiras, de braços descruzados, com os olhos semicerrados ou totalmente fechados e sem nenhum objeto atado às mãos, a um só tempo, as crianças respiram fundo e mentalizam fins de tarde de um piquenique, por exemplo.

Este é o novo cenário de educandos do 1º ao 7º ano, beneficiados pela Metodologia Liga Pela Paz, fruto da parceria entre a Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev), a Prefeitura de Arapiraca e a organização Inteligência Relacional. Ao todo, mais de 20 mil alunos da rede municipal de ensino arapiraquense estão sendo beneficiados.

Ao aquietar a mente e o corpo, os alunos da Mário César colocam-se em estados mentais favoráveis à aprendizagem. Esse momento lúdico e de introspecção, denominado “Quietude e Atenção”, faz parte das aulas de Cultura de Paz, e é uma das estratégias psicopedagógicas da Metodologia Liga Pela Paz. Implantada nas 57 escolas municipais arapiraquenses, a metodologia contribui para plena concentração das crianças ante o doce desafio de dois verbos essenciais à construção da humanidade: o ensinar e o aprender.

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A metodologia é uma aposta no combate e prevenção à violência não só no ambiente escolar, como também para além dos muros, ao buscar no equilíbrio das emoções a tranquilidade para resolução dos conflitos socioemocionais.
Mesmo com a formação recente dos educadores, há cerca de 1 mês, a Metodologia Liga Pela Paz já faz parte do cotidiano das escolas. A coordenadora da Mário César Fontes, Adriana Cardoso, afirma que a metodologia veio para ressignificar o “olhar sobre o outro”, que já era trabalhado na medida das possibilidades, mas que agora tem dia e hora marcada.

“A gente não esperava que eles [os alunos] fossem receber tão bem. Eles têm adorado!”, declarou Adriana, ao ressaltar que a Educação Emocional e Social vai ajudar a transformar a realidade do bairro em que está inserida a Mário César Fontes. O Planalto é uma das comunidades de vulnerabilidade social acentuada em Arapiraca.

Para a professora do 3º ano da escola, Geovanya Moura, além do Painel das Emoções, que minimiza a distância entre professor e aluno e ajuda no reconhecimento das emoções, o exercício de “Quietude e Atenção”, momento de interiorização, já tem demonstrado eficácia para a concentração dos alunos em meio ao ambiente frenético vivenciado.

Maria Cristina Alves Braz, diretora da Escola, pontua que a Educação Emocional e Social veio para somar. “Tudo que é bom para o crescimento do aluno a gente abraça. Apesar do pouco tempo, a gente tem descoberto mais o universo emocional deles, a vivência, de como é que eles estão. A nossa perspectiva também é que envolva a família. É necessário envolver os pais nesse processo, porque, muitas vezes, o problema não está no aluno, mas no ambiente familiar”, refletiu Maria Cristina. E concluiu: “A Liga Pela Paz pode ser esse elo entre a família e a escola”.

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Glória Damasceno – Agência Alagoas