Painel das Emoções garante mudança de comportamento de alunos na sala de aula

Atividade pretende prevenir a violência e integra metodologia implantada pela Seprev em parceria com a Prefeitura de Arapiraca

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Alunos e professores afirmam que o relacionamento da turma melhorou muito depois da Metodologia Liga Pela Paz. Lucas Gottardi

São muitas as maneiras de expressarmos nossas opiniões e sentimentos. Podemos nos contar nas músicas, nas fotografias, nos diários escritos à mão ou, em tempos de tecnologia, nos blogs, nas redes sociais, nas colunas dos jornais. Podemos nos expressar em cada movimento do corpo e da face, nas atitudes relacionadas ao universo particular e do outro e, especialmente, no Painel das Emoções, um recurso pedagógico da Metodologia Liga Pela Paz.

O trabalho de Educação Emocional e Social, em processo de implantação desde fevereiro deste ano nas escolas municipais de Ensino Infantil e Fundamental de Arapiraca, é uma parceria da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev) com a prefeitura da cidade e a organização Inteligência Relacional.

Para as aulas de Cultura de Paz e Não Violência da metodologia, dentre outras estratégias psicopedagógicas, o Painel das Emoções, ilustrado à maneira de cada professor e turma, passou a compor as paredes da sala de aula. Nele as crianças, todos os dias ao chegarem ou ao retornarem do intervalo, expressam por meio de fichas-rostinhos o que sentem: medo, raiva, alegria, tristeza e assim por diante.

Os painéis da Escola Lourenço de Almeida, no bairro Bálsamo, zona rural de Arapiraca, têm como marca registrada a criatividade. Cada professora por lá caprichou na confecção do Painel das Emoções de sua turma. Alguns deles, inclusive, chegaram a ser produzidos não só pelas educadoras, mas também por seus próprios alunos.

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A professora do 1º ano da Escola Lourenço de Almeida, Rosiane Costa, tirou fotos de seus alunos expressando as sensações básicas do painel e, em vez de usar as fichas-rostinho tradicionais da metodologia, colou em CDs as imagens das próprias crianças para trabalhar os sentimentos de cada uma. Rosiane também tem seu lugar na coletânea de emoções do painel que montou junto às crianças.

Já a professora Clara Dantas, do 4º ano, que desenvolve a ação com crianças com dificuldades de aprendizagem, vê também muitos benefícios para o educador.

“O relacionamento da turma melhorou muito depois da Metodologia Liga Pela Paz. Está sendo bom não só para os alunos, mas também para nós professores. Aprendi a dar mais valor às emoções que sinto. Se você consegue observar melhor o que os alunos sentem, você consegue nortear melhor a aula, a vivência deles no ambiente escolar. Já consigo notar a diferença no dia a dia”, conta Clara Dantas ao declarar, ainda, que as crianças, ao chegarem, invariavelmente, vão até o Painel para completar as reticências da frase “Hoje estou.” estampada no Painel.

A recepção é tão boa que, pelos alunos da Escola Lourenço de Almeida, teria aula da metodologia todos os dias, como afirma também a professora do 5º ano, Epifânia Ferreira Oliveira.

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Adrian, de 11 anos, um dos alunos da educadora Epifânia, era um menino muito tímido e com muitas dificuldades de aprendizagem. Até o ano passado, ele não conseguia ler, senão fosse para si. Mas, segundo conta sua professora, Adrian está lendo bem e alto. Todo mundo já escuta a voz dele, motivo de felicitações por parte de seus colegas.

Ao ser indagado como estava se sentindo, tal qual uma das fichas-rostinho do Painel, Adrian disse: “Me sinto feliz porque já não sinto tanta vergonha de ler. Nos últimos dias, de todas as emoções, a alegria sempre está no meu bolsinho das emoções”.

A coordenadora da Escola Lourenço de Almeida, Selma Oliveira, conta que antes mesmo do material ter sido entregue a todos os alunos, as professoras já começaram a trabalhar em sala de aula a metodologia. “A formalização dessa necessidade, este momento das emoções, é importante. Nossas crianças são carentes não só de recursos financeiros, mas também de afeto”, disse Selma Oliveira.

A Escola Lourenço de Almeida trabalha com aproximadamente 10 comunidades adjacentes, tem mais de 900 alunos, do 1º ao 9º ano, distribuídos em três turnos e dois anexos, além do prédio principal. À noite, além de uma turma vespertina, as aulas são para os alunos da Educação de Jovens e Adultos (Eja) e mais de 500 alunos são beneficiados pela Metodologia Liga Pela Paz.

Glória Damasceno – Agência Alagoas