Independência para viver é devolvida a agricultor tratado no HGE

O dicionário explica que independência é o estado de não se achar sob domínio ou influência estranha. Sendo assim, não há melhor dia para o agricultor João Leopoldo Sobrinho, de 62 anos, sorrir por estar livre de “três estranhos”, cuja influencia poderia levá-lo a morte, o que nem Dom Pedro I queria quando esbravejou em 1822.

Três aneurismas em Seu João foram tratados durante intervenção que aconteceu no fim da manhã e se estendeu até o início da tarde deste dia 7 de setembro. O maior, de aorta abdominal infra-renal, tinha nove centímetros de diâmetro, era tão grande que sua barriga pulsava e aparecia abrigar outro coração. Porém, se não fossem descobertos e tratados em tempo, o rompimento seria iminente, assim como qualquer outra pulsação.

“O aneurisma pode acontecer em qualquer artéria de qualquer indivíduo tabagista, com hipertensão, doença obstrutiva crônica pulmonar ou carregue genética com tendência a desenvolvê-lo. O desenvolvimento acontece quando uma dilatação inicia na parede do vaso e, consequentemente, a tensão cresce conforme o aumento do diâmetro. Havendo o rompimento da parede dessa artéria fora do hospital, a maioria dos doentes morre ainda no caminho da unidade; e, se conseguir ser operado, a probabilidade é pequena para sobreviver”, alertou o coordenador do serviço vascular e endovascular do Hospital Geral do Estado, Cezar Ronaldo.

Como não houve ruptura das três artérias – os outros dois aneurismas eram de artérias ilíacas e tinham diâmetros de 4 cm e 4,5 cm –, o risco mencionado pelo médico está longe da vida de João, esposo de Solange Leopoldo e pai de quatro filhos. A família vive em São José da Tapera, distante 219 km de Maceió, cidade que também residem os sete irmãos de João e de onde iniciou a corrida pela continuidade da vida.

“Há dois meses percebi que estava perdendo muito peso. Certo dia eu apalpei minha barriga e senti um caroço. Preocupado, procurei um médico no posto de saúde, o que eu não fazia tanto. Ele solicitou alguns exames, fiz todos na capital, voltei para minha cidade e mostrei ao doutor. Também preocupado, solicitou mais exames. Quando concluiu ser um aneurisma, de imediato requereu o internamento no hospital de Tapera”, recordou o agricultor.

Já interno, sua esposa não se contentou com o tempo de espera para cirurgia em outro hospital. Solange interviu e conseguiu transferência para o HGE em grau de emergência no último dia 2. Examinado pela equipe médica da Área Azul, ela recorda que no dia seguinte foi levado para a Ala B, especializada no cuidado com doenças vasculares e endovasculares.

“Novos exames, novos estudos, novos olhares, novos profissionais. Até que, com o resultado de toda a investigação, marcaram a cirurgia para hoje. Ficamos ansiosos, cheios de esperança e alegres. Não poderíamos custear nada disso em um hospital privado, então contávamos com o Sistema Único de Saúde e assim aconteceu”, disse Solange.

Três cirurgiões participaram da intervenção, além de médico anestesista, instrumentadora, enfermeiros, técnicos em enfermagem e técnico em radiologia. O resultado foi um sucesso e João está na Unidade de Terapia Intensiva em observação, onde já recebeu a visita de familiares e aguarda o resultado de novas avaliações para posteriormente voltar a Ala B.

“O aneurisma de aorta abdominal ocorre com mais constância em homens com mais de 60 anos de idade. Estudos defendem que 2 a 5% dos homens sejam portadores de aneurisma de aorta. Desse modo, é importante buscar avaliações médicas com mais frequência nessa faixa etária, para que a família evite descobrir a doença após o óbito”, aconselhou o médico.

Ascom – 08/09/2017

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