Chikungunya: idosos e crianças estão mais propensos a sofrer com a doença

mosquito

A Chikungunya doença causada pelo mosquito aedes aegypti tem atingido a população alagoana cada vez mais. De acordo com um Boletim Epidemiológico divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS), até maio de 2016, foram notificados 1129 casos, sendo 13 graves, 50 confirmados por laboratório e 364 por critério clínico-epidemiológico.

Sentindo dores no corpo, febre e inchaço nas mãos, o Administrador Fábio Melo, 62 anos, procurou um médico achando que seria apenas uma virose. Chegando ao hospital, não foi feito nenhum exame para diagnostica-lo, ele foi medicado e voltou para casa.

Dias depois, ainda sentindo muitas dores no corpo e febre alta, o médico que atendeu Fábio pediu um exame de sangue que mostrou que ele estava com Chikungunya. O administrador foi apenas uma das vítimas do aedes aegypti. Ele foi medicado durante 20 dias por dipirona na tentativa de amenizar as dores e o médico ainda receitou líquido para hidratar.

“Eu não desejo a dor para ninguém”, contou Fábio. Segundo ele, foi necessário afastar-se do trabalho e ficar de atestado, já que, ele não conseguia sequer andar.

Mulheres

A SMS ainda divulgou que o sexo feminino é o mais afetado pela Chikungunya e 775 mulheres foram infectadas pelo vírus. Já no caso dos homens, 473 homens contraíram a doença.

A Servidora Pública, Wilma Alencar, de 64 anos, é uma das 775 mulheres que sofrem com os sintomas provocados pela doença. Há trinta dias ela está sofrendo com dores no corpo, inchaço nas pernas e uma moleza que a impede até de andar. De acordo com Wilma, os movimentos das mãos e dos pés estão comprometidos, e na maioria das vezes, ela precisa da ajuda de alguém até para trocar de roupa. “É uma dor insuportável, tem dias que nem consigo levantar”, ressaltou.

O médico de Wilma também prescreveu dipirona e líquido, mas tem dias que as dores estão tão intensas que ela confessou já ter sentido vontade de procurar morfina para que a dor passasse. “Eu não estou conseguindo andar, tomar banho sozinha e nem escrever”.

A servidora pública também ressaltou que os médicos sabem que a Chikungunya é uma doença duradoura, mas dão atestados de dois ou três dias. “O primeiro médico me deu atestado de dois dias, o segundo de quatro dias. Estou afastada do trabalho há um mês”, comentou.

O que piora a dor de Wilma é que há dois anos, ela foi diagnosticada com artrose que é uma doença que ataca as articulações. Ou seja, as dores são bem mais intensificadas já que a Chikungunya também compromete as articulações.

Idosos e crianças

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde mostram que foram notificados 112 casos de crianças de 01 até nove anos e no caso de idosos a partir de 60 anos foram registrados 223 casos.

Conforme a médica infectologista, Mardjane Lemos, os idosos e as crianças estão mais propensos a sofrerem com a doença. Afinal, a maioria dos idosos já possui alguma doença reumática e tanto eles, quanto as crianças, tem um sistema imunológico frágil. “Por causa disso, eles sofrem mais”, disse a infectologista.

Um ponto positivo para quem já teve ou está com Chikungunya é que uma vez afetada pelo vírus, não há o risco de pegar novamente. “O mosquito pode transmitir zika, Chikungunya e dengue, mas quem já foi infectado pela zika ou Chikungunya não pegará novamente, mesmo se for picado”, afirmou a Mardajane.

“O que não se sabe ainda é se o mesmo mosquito tem a capacidade de transmitir as três doenças de uma vez, isso ainda é caso de estudo”, completou.

Sintomas da doença

Febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos. Pode ocorrer, também, dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele.

Raíssa França – Cada Minuto