Brasileira abandona emprego e vende carro para dar a volta ao mundo: Feliz

Camilla registrou suas preparações e suas andanças por 20 países em blog. Santista recomenda planejamento para quem pretende seguir seus passos.

Para realizar o sonho de conhecer o mundo e dar a volta no globo, uma brasileira resolveu mudar toda sua vida e decidiu embarcar em uma jornada que a levaria a 20 países de todos os cantos do planeta. Para ajudar outras pessoas que têm a mesma vontade, Camilla Albani registrou todas suas preparações e suas andanças em um blog.

A ideia de deixar o escritório onde trabalhava para correr mundo afora surgiu ainda em 2013, quando Camilla resolveu colocar os seus planos em prática. “Eu decidi fazer algo diferente na minha vida depois de assistir uma palestra sobre os arrependimentos que as pessoas tem antes de morrer. Percebi que seu continuasse a levar a mesma vida, eu teria dois ou três arrependimentos na minha reta final. Era como se eu olhasse pela janela do escritório e visse a minha vida passando”, explica.

Menos de um ano depois de assistir a palestra, Camilla começou a estudar a possibilidade de correr mundo afora. “Como sempre fui muito curiosa, sempre gostei de conhecer ‘o novo’ e resolvi, em 2014, fazer uma viagem de um ano com o objetivo de ver o mundo com os meus próprios olhos, enfrentar o meu medo e derrubar alguns preconceitos e paradigmas. Depois de um ano de preparação, eu embarquei para esta volta ao mundo que durou 365 dias”, relata.

Ela afirma que uma das decisões mais difíceis que teve que tomar foi largar o emprego em meio ao momento difícil que o Brasil enfrenta. “Eu tinha um trabalho legal e, ao mesmo tempo em que o Brasil entrava em crise, o que as pessoas ajuizadas diziam era que eu deveria me manter no emprego atual, aguardar para ver o que iria acontecer. Mas eu acho que nunca vai existir um momento em que 100% das variáveis vão conspirar a seu favor”, explica.

Inicialmente, Camilla faria a viagem acompanhada de um amigo, mas ele acabou por adiar a sua partida e ela se viu sozinha para encarar a jornada. “Depois que já tinha pedido as contas, vendido o carro e entregue o meu apartamento alugado, meu amigo me disse que não poderia ir comigo. Tive que encarar um medo gigante de ir sozinha, mas eu achei que não tinha mais como voltar atrás e que valia a pena ir. E eu fui”, comemora.

Camilla passou um ano inteiro economizando. Durante esse tempo, ela afirma que não comprou roupas e evitava frequentar restaurantes. “Além disso, optei por usar uma reserva financeira que estava fazendo para dar entrada em um apartamento. Foi uma escolha de abrir mão do sonho da casa própria por um tempo para poder viajar primeiro”, afirma.

Durante os 365 dias em que passou longe de terras tupiniquins, Camilla visitou 20 países diferentes, onde presenciou em primeira mão as várias diferenças culturais. “Em alguns eu posso ter ficado poucos dias e outros fiquei um mês, dois meses. O que mais me marcou, por incrível que pareça, não foi nenhum lugar que eu visitei, mas as pessoas que encontrei pelo caminho. Foram muitas histórias diferentes, outras formas de viver e de enxergar o mundo. Conheci muita gente linda, humana de verdade, mas também aprendi como o ser humano pode ser cruel. Mas que no fundo no fundo, não importa muito em que lugar do planeta Terra você está, o que a maioria das pessoas busca é amar e ser amado, cada cultura de sua forma específica. Essa é a essência mais pura e nos deixa feliz”, afirma.

Para quem quer seguir os passos de Camilla, ela recomenda muito planejamento, inclusive na parte pessoal. “Acho muito importante três tipos de planejamento. O primeiro é uma análise de si para verificar se uma viagem de longo prazo é o que realmente você busca. Depois, um bom planejamento financeiro. Uma viagem dessa você pode gastar quanto eu gastei, pode gastar metade do que eu gastei ou três vezes mais. Tudo depende das suas escolhas. O terceiro é pensar um pouco sobre o que você busca nessa viagem, se é conhecer o máximo de lugares possível, seu planejamento e modo de viajar. Se você busca experiências novas, conhecer mais profundamente as culturas, eu recomendaria escolher menos lugares e ficar mais tempo em cada um”, orienta.

Ela afirma ainda que a Camilla que embarcou na jornada em 2014 é uma Camilla totalmente diferente daquela que voltou de sua jornada em 2015. “Eu acho que voltei mais resiliente. Sou mais capaz de viver algumas situações adversas e também com uma maior flexibilidade perante a vida. Eu pretendo viajar sempre, andar pelo mundo com os meus próprios pés até quando eu tiver força e saúde. Acho que é o maior investimento que podemos fazer em nós mesmos. Mas eu voltei com muita vontade de conhecer mais o Brasil. Não tenho planos para outra viagem tão longa como essa a curto ou médio prazo”, finaliza.

g1

08/01/2017

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